Eu Sou Sendo.
Criei este blogue no ano de 2014. Não sei bem porquê, para quê ou
para quem. Talvez o tenha feito para mim. Mas pouco ou quase nada publiquei
aqui. Talvez a minha viagem interior tenha começado nessa altura, ainda que
inconscientemente. A verdade é que, desde então, tanto mudou. Ainda bem. Retenho-me
na primeira publicação. Citei Chico Buarque: 'Dura a vida alguns instantes, porém mais do que
bastantes, Quando cada instante é sempre'. Recordo que nesse ano tatuei na
minha pele, como um lembrete, “cada
instante é sempre”. A necessidade de gravar no meu corpo a certeza de que
cada instante por mim vivido seria lembrado para sempre. Dez anos depois,
consigo perceber que o verdadeiro motivo foi a necessidade de me relembrar de
saber ser/estar presente a cada instante que estivesse a viver. Isso, sim, é o
que me faz sentir feliz: viver cada instante com plena presença tornando-o,
assim, eterno.
Já naquela altura soava uma campaínha dentro de mim para me alertar da
necessidade de deixar de viver em “piloto automático” e de mudar o meu diálogo interno.
Uma campaínha que ignorei ainda durante muito tempo. Pois claro! Grande
trabalheira essa de olhar para dentro, dar de caras com as minhas sombras,
acolhê-las e mudar tudo?! As minhas certezas e verdades absolutas a desmoronarem-se?
Quem seria eu sem isso tudo?! E lá continuei eu, a dar ouvidos ao meu ego e a
ignorar-me. A acudir tudo e todos, menos a mim. Porque eu, ah, eu estava sempre
bem. “Como estás? Estou bem”. Achava eu que aceitava de verdade tudo o que me
acontecia.
A vida é realmente cozinhada com uma boa dose de impermanência. E, ao
mesmo tempo, eu tinha a certeza que fazia bem o meu trabalho interior. A
verdade é que eu não tinha essa “habilidade”. Andava tão desconectada de mim
mesma, tão distraída com tudo à minha volta (atenção que não me arrependo de
nada, nada do que vivi, como vivi e senti) que era impossível ouvir a tal
campaínha. Até que um dia… soou tão alto, tão alto, que disse ‘Basta! Alguém que me tire esta campaínha daqui, só atrapalha o
meu viver, sempre aqui a tocar, a tocar, e ainda por cima agora toca mais alto’.
A psicoterapia ajudou-me durante algum tempo a identificar as raízes desta
ansiedade que já fazia parte de mim desde que me conhecia. Algo muito mais
profundo era necessário ser feito. Ainda hoje faço psicoterapia, mas sentia que
precisava de algo mais.
No final do ano de 2019, fui literalmente empurrada para a tão necessária
viagem interior. É uma viagem que continuo a fazer e não vos garanto que só
vejo borboletas, alegria, felicidade ou estados zen o tempo todo. Desenganem-se,
life is really a rollercoaster! Esta
viagem interior começou nesse ano a aprofundar-se com o contacto com terapias
de reiki e, ao mesmo tempo, em aulas de
Yoga num espaço que hoje chamo de Casa. Esta é das melhores escolhas que fiz na
minha vida. Senti, desde logo, nas primeiras aulas que o Yoga era um “mundo” no
qual eu me revia, embora na altura não soubesse explicar como e porquê. Hoje
sei que é a ferramenta que me traz de volta a mim sempre que preciso, como um
regresso a casa. Não tenho dúvidas. Eu precisava de voltar a saber respirar e movimentar-me!
Temos em nós o que é necessário, só que não sabemos. Eu não sabia… Agora que
voltei a este “cantinho”, e depois de fazer aqui uma limpeza ao que já não
serve, vou partilhar mais sobre esta filosofia de vida que é o yoga e como as
suas práticas são parte desta viagem de auto-conhecimento, do meu processo de
desconstrução e transformação que tanto me ajudam a viver cada instante, com
mais consciência e presença.
Hoje tenho muito respeito pela dita campaínha e acolho-a como um apoio para
me “obrigar” a silenciar e ouvir-me. Se agora ela toca eu tenho as ferramentas
para me reconectar, para voltar a quem eu realmente sou.
E quem sou eu? Eu Sou Sendo. E tu, sabes quem és?



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